Por que temos pintas e manchas no corpo?

As pintas são uma concentração anormal de melanócitos - as células que produzem o pigmento melanina, responsável pela cor da pele. Quando ocorrem na camada mais profunda da pele, as manchas têm uma coloração azulada, mas geralmente são marrons ou pretas. O recém-nascido raramente tem pintas, pois elas costumam aparecer e evoluir na infância ou, no caso da mulher, durante a gravidez, quando novas pintas se formam e as existentes aumentam de tamanho.

Segundo especialistas, as pintas e os sinais do corpo surgem por tendência genética - embora muitas vezes não apareçam no nascimento. Segundo ele, alguns tipos de pinta ainda podem ser desencadeados pela exposição ao sol.

 

Atenção com as pintas

Realmente, elas são um encanto, porém é bom ficar atento ao tipo de pinta que está em sua pele. Se alguma pinta muda a característica inicial, como sangrar, crescer, coçar e doer, procure um dermatologista para que ele faça uma análise.

Antes de retirar para fazer biopsia e saber se a pinta é ou não cancerígena, existe um exame chamado dermatoscopia.

"Ele revela sinais sugestivos. Se tiver dúvida, deve-se retirar com uma boa margem de segurança e fazer o exame histopatológico".

Para fazer o exame, deve-se retirar a pinta de forma cirúrgica e não com laser.

"O laser queima a pinta e impossibilita de mandar pra examinar. Só pode retirar com laser quando o médico tem certeza de que a pinta é benigna".

Se der positivo e for profundo, os médicos pesquisam o "linfonodo sentinela (gânglio de drenagem da lesão)". A pessoa pode até precisar de fazer radioterapia e quimioterapia. Normalmente, isso acontece quando a pessoa deixa passar muito tempo depois de ver que tem algo estranho com a pinta.

Engana-se quem acredita que as pintas altas - dérmica (mais profunda que a epiderme) - são as mais propensas a ser cancerígenas. "A célula que sofre cancerização é na junção entre a epiderme e a derme", justamente o local onde nasce a pinta plana. Já as com pêlos têm menos tendência, porque os pêlos nascem na derme.

Pintas que são malignas são chamadas de melanomas malignas. Ela é assimétrica, com bordas irregulares, sua cor varia entre castanho escuro e preto (quando são inofensivas sua cor, normalmente, é castanha), e seu diâmetro é maior que seis milímetros. Além disso, fique atento a pintas que surgem em regiões de trauma, como área genital, palma da mão, planta do pé e leito da unha.

 

Cuidados com as sardas

 

Segundo dermatologistas, as sardas aparecem em pessoas de pele clara e com maior incidência em ruivos e de olhos claros. Pessoas claras que trabalham com luz artificial direta tem uma grande chance de aumentar o número de sardas. Antes da exposição a luz, o fator principal para ter sardas é a genética.

Quem possui tendência a ter sardas conseqüentemente pode desenvolver câncer de pele mais facilmente. Não é que elas vão evoluir para um câncer.

É que a pele com sardas demonstra que possui pouca capacidade de se recuperar do sol. "Como a camada de ozônio está só diminuindo, o mínimo que as pessoas precisam usar é um filtro solar com fator 30".

O rosto, a parte superior do tronco e as mãos são os locais mais propensos para que as sardas apareçam em grande quantidade. Quando se toma sol, a quantidade de melanina (pigmento que dá a cor a pele) aumenta e escurece ainda mais as sardas.

Para quem não gosta destas "manchinhas" existe um tratamento para eliminá-las da pele, com a vantagem de ficar com o local rejuvenescido. São duas ou três aplicações no local, como na face e nas costas, uma vez por mês  e "Devem ser feitas no inverno".

O responsável pela retirada das manchas acastanhadas é o laser de alexandrita, que também estimula o colágeno, diminuindo rugas finas. Depois das aplicações, a pessoa precisa continuar com ácido retinóico e filtro solar para evitar que voltem. "Quem tem tendência, pode fazer uma aplicação de laser por ano depois do tratamento".

 

Dúvidas

1. É verdade que as pintas são lesões?
Sim, uma vez que qualquer alteração na pele (ou seja, mudanças de cor e textura) pode ser denominada assim. Normalmente, nos referimos às pintas como nevos melanocíticos. A palavra nevo vem do latim naevus, que significa mancha, e melanocíticos é um termo derivado de melanócitos, as células que contêm a melanina (que, por sua vez, corresponde ao pigmento que dá a cor à pele). As pintas, portanto, são manchas escuras, em geral de caráter benigno.

2. Como elas se formam?
Durante a vida embrionária, algumas células se alteram e formam os nevos, que podem aparecer desde o nascimento (nevos congênitos) ou surgir durante a vida (são os nevos adquiridos, especialmente pela exposição solar, mas também por conseqüência da gravidez e do uso de pílulas anticoncepcionais). Ao todo, um indivíduo costuma ter em média 30 pintas espalhadas pelo corpo, porém a quantidade desses sinais, bem como as suas respectivas cores e formatos, irão depender de cada tipo de pele e padrão familiar. Há uma tendência genética ao aparecimento dessas pintas. Tanto que negros, por exemplo, geralmente manifestam menos do que brancos. E algumas pessoas apresentam sinais até nas áreas cobertas, como região glútea, que não recebem exposição do sol.

3. Qual a diferença entre pintas e as sardas?
Ambas são manchas escuras, porém as sardas serão sempre manchas de tom castanho-claro. Já as pintas (ou nevos) podem apresentar variações, seja na cor (indo do marrom mais claro ao preto) ou na forma (redonda, ovalada, pequena, grande, planas, sobrelevadas, com pêlos ou sem).

4. Toda pinta pode virar câncer de pele?
Não, felizmente uma minoria das pintas que temos tende a se tornar um tumor maligno. Elas são chamadas de nevos atípicos e podem ser reconhecidas por meio da aplicação da regra do ABCD. Essas letras correspondem a quatro aspectos desses sinais que devem ser observados e indicam perigo de tumor: Assimetria (quando as pintas são irregulares); Borda (de limites imprecisos e contornos irregulares e mal definidos); Coloração (várias tonalidades diferentes dentro de uma só pinta, desde marrom e preto até vermelho, branco e azul); e Diâmetro (os nevos começam a crescer e atingem mais de seis milímetros). Há casos de famílias que apresentam esse tipo de pintas e, conseqüentemente, têm risco muito alto de desenvolver o melanoma.

5. O que é melanoma?
É um tipo agressivo de câncer de pele que pode ou não se originar em pintas preexistentes. Apesar da baixa incidência (representa de 3% a 4% dos casos envolvendo tumores malignos), está entre os cânceres com alto índice de mortalidade. Todo câncer é uma degeneração que acontece na diferenciação celular, ou seja, as células, por alguma razão que nem sempre conseguimos detectar e explicar, mudam radicalmente seu comportamento biológico. Elas, então, passam a se dividir de forma desordenada, podendo se espalhar para outros órgãos e tecidos (metástase). No melanoma, esse processo pode ter início diretamente na pinta. Mas há casos em que se trata de um câncer do sistema melanocítico - os melanócitos (células que produzem a melanina) degeneram-se e desencadeiam o tumor.

6. Existe exame para identificar este tipo de câncer?
A dermatoscopia digital é uma avaliação complementar ao diagnóstico clínico e tem ajudado o médico a diagnosticar o melanoma mais precocemente, quando a doença ainda não se espalhou. Por um aparelho de luz e lente de aumento, é possível examinar diferentes estruturas da lesão suspeita. É digital porque usa o computador para aprimorar a técnica de interpretação do exame, que ainda é falha. Com esta tecnologia, é possível armazenar e documentar as imagens das pintas, para posterior comparação se houve ou está ocorrendo alteração, uma vez que o mais importante da regra do ABCD é perceber se as mudanças percebidas são dinâmicas, evolutivas.

7. Toda pinta suspeita deve ser retirada?
Não necessariamente, se houver condições de seguir e acompanhar a evolução da pinta. Mas, uma vez que essa suspeita é grande, a recomendação é a de que haja a remoção imediata, a chamada biópsia. A retirada é cirúrgica: após anestesia local, faz-se uma incisão para removê-la. Então, o material coletado é encaminhado para exame histopatológico - avaliação microscópica da lesão para conferir se é benigna ou maligna. Vale ressaltar que o ideal não é chegar a esse ponto.

A prevenção de qualquer tipo de câncer de pele deve ser primária (ter cuidado para que o tumor não surja) ou secundária (buscando o diagnóstico precoce). Como a maioria desses cânceres têm a ver com exposição solar, a recomendação é investir em medidas fotoprotetoras - desde o uso do filtro solar, chapéus, guarda-sóis e camisetas até a adoção de hábitos como evitar ir à praia das 10h às 16h , bem como fazer o auto-exame da pele.

Fonte: www.acessa.com / revistavivasaude.uol.com.br

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...