70 anos de Paul McCartney

Sir James Paul McCartney comemora, hoje, 70 anos de idade. E, como se não bastasse ter sido integrante de uma das maiores bandas pops de todos os tempos – The Beatles – Macca, como é conhecido pelos fãs, tem trilhado uma grande carreira desde a dissolução da banda, em 1970.

Juntamente com John Lennon, protagonizou uma das parcerias de maior sucesso no mundo da música e sua biografia está estampada em toda e qualquer revista de música de referência.Quando pensamos em alguém com 70 anos nos vem à cabeça uma imagem bem diferente da que o Sir Paul nos proporciona, não acham? Há pouco mais de um mês desfrutamos de sua turnê “On The Run”, em passagem pelo Brasil e, pasmem, o septuagenário realizou um show de mais de duas horas, sem utilizar-se de playback ou ajudinhas afins, com um fôlego de deixar qualquer adolescente no chinelo.

 

O início de vida, a beatlemania e o ‘fim do sonho’

Em 18 de junho de 1942, em Liverpool – Inglaterra -, nasceu aquele que iria se tornar um dos maiores ícones da música mundial. Perdeu a mãe aos 14 anos, que morreu de uma embolia em decorrência de uma mastectomia (ela sofria de um câncer de mama), tal como John Lennon (que perdeu a sua mãe aos 17) – por isso, a ligação tão forte entre os dois, como que para se redimirem de tais tragédias pessoais.

Com a morte da mãe, seu pai, Jim, lhe presenteia com um trompete – ele tinha uma banda na qual tocava trompete e piano – que Paul trocou mais tarde por um violão. Canhoto, teve que trocar as cordas do instrumento, pois não conseguiu se adaptar com a posição destra de tocar. Começou a  escrever canções ainda nesta idade e foi algo pelo qual ele simplesmente se apaixonou e não conseguiu mais parar, para felicidade dos fãs e amantes da boa música.Em um belo dia, no ônibus a caminho da escola, conheceu George Harrison. Durante um show em Woolton, subúrbio de Liverpool, foi apresentado a John Lennon. Após ser convidado por John para entrar em sua banda, antes denominada “The Quarrymen”, leva também George para o que, posteriormente, se tornaria uma das maiores bandas pops da humanidade: The Beatles.

O quarteto – formado por Paul McCartney, John Lennon, Ringo Starr e George Harrison – alcançou fama mundial, tornando-se um verdadeiro fenômeno que, sem comparações, incitava uma legião de fãs que saíam histericamente pelas ruas para vê-los passar. De gritarias e desmaios a sorrateiras incursões nos quartos de hotéis, onde os músicos se hospedavam, essa foi uma das mais inusitadas atitudes de adoração a um grupo musical que jamais veremos novamente. Talvez por isso, muitos mitos circundavam sua carreira e tudo o que fosse dito sobre eles tomava proporções exorbitantes.

No que se refere a Paul, um grande boato sobre sua morte em um acidente de carro, em 1966, e sua substituição por um sósia pela gravadora, levou o público a uma teoria da conspiração: que seus companheiros de banda, inconformados com tal decisão, colocaram mensagens subliminares nos álbuns seguintes para mostrar ao público o que estava acontecendo.

Uma delas seria a de que a foto do álbum “Abbey Road”, com os quatro integrantes atravessando uma rua na faixa de pedestre, faria alusão a um cortejo fúnebre; e que o cigarro na mão direita do Paul, que era canhoto, e seus pés descalços também indicavam algo de errado. Como fizeram essa conexão, ninguém sabe. Assista ao video da primeira música do álbum, “Come Together”:

Em 10 de abril de 1970, Paul anuncia, oficialmente, o fim da banda, que ocorreu por desavenças pessoais e profissionais. A parceria com Lennon ainda se estendeu um pouco mais, mas não suportou as farpas trocadas entre as esposas, Yoko Ono e Linda McCartney, e entre eles mesmos, através de suas músicas como “Too Many People” , escrita por Paul e lançada no álbum Ram, em 1971, na qual ele insinuava que o ex-parceiro era iludido pela mulher:

“Muita gente pregando práticas / Não deixe eles lhe dizerem o que você quer ser”.

A que John responde com a música “How do you Sleep?“, do lendário álbum “Imagine”, do mesmo ano:

“A única coisa que você fez foi ‘Yesterday’ / E desde que se foi, você é apenas um outro dia (‘Another Day’)”.

Mas aconteceu algo que parecia finalizar com tais estranhamentos. No fatídico dia 08 de dezembro de 1980, seu ex-parceiro de banda e composições, John Lennon, é brutalmente assassinado, com cinco tiros, na porta do Edifício Dakota, em Nova Iorque – sua residência – logo após voltar de uma gravação em estúdio.

“Eu estou chocado – isto é uma notícia terrível”,

disse Paul aos jornalistas na tarde do dia 09. Todos o criticaram pela frieza com que recebera a notícia da morte do ex-Beatle, mas ele próprio confessou, anos depois, em entrevista a uma revista masculina, que havia chorado a noite inteira após ouvir sobre a tragédia no noticiário. Exatamente por isso, passou algum tempo somente em estúdio, com receio de que fosse o próximo a ser assassinado.

Ao falar em Lennon/McCartney, descrição comumente utilizada nas músicas dos The Beatles, voltamos às tais desavenças. Essa denominação foi decidida em um acordo de cavalheiros feito por Paul e John sobre as músicas dos Beatles: muitas foram realmente criadas em conjunto, mas, aos poucos, cada um compunha suas canções e continuavam creditando à dupla. Isso causou certo estranhamento com a viúva de Lennon, Yoko Ono, pois Paul resolvera que inverteria tal denominação nas músicas que tivessem sido compostas por ele. E como provar quem tinha composto tal ou qual canção? Como a relação não era pautada na confiança, como a dos Beatles, isso gerou alguns conflitos.

 

O sonho precisa e deve continuar

Com o fim dos Beatles, Paul inicia uma produtiva carreira. Lançou mais de 20 álbuns, passando por vários estilos. Alguns de sucesso, outros de grande fracasso. Juntamente com sua esposa, Linda, formou o “Wings”. Em uma turnê ao Japão, McCartney foi preso por oito dias, ao desembarcar no aeroporto, por porte de maconha. Era o fim da banda. Arriscou-se em trilhas sonoras de filmes como “The Family Way”, com a qual foi premiado com o prêmio Ivor Novello de melhor trilha instrumental. E compôs a música tema para o filme “Vanilla Sky”, que recebeu, inclusive, indicação ao Oscar de Melhor Canção. Lançou, também, um trabalho de músicas eletrônicas intitulado The Fireman – item de colecionador-, gravado com Youth, baixista do Killing Joke.

No ano de 1983, Paul gravou a música “Ebony and Ivory” em parceria com Stevie Wonder. A canção trata da questão da harmonia racial. Por questões de agendas, os dois ícones gravaram separadamente suas partes no vídeo musical. Em 2010, 28 anos após o lançamento da música, os dois ícones a interpretam juntos num espectáculo na “Casa Branca”. Na plateia estavam presentes diversas personalidades como o presidente Barack Obama. Depois de “Hey Jude”, “Ebony and Ivory” é a canção assinada por McCartney que por mais tempo figurou nas paradas de sucesso da Billboard.

Ainda em 82, Paul começa uma parceria com o lendário astro Michael Jackson, que simplesmente ligou para sua casa perguntado-o se não queria fazer umas canções. Gravaram, então, “The Girl is Mine” que foi para o álbum “Thriller”, de Michael, e no ano seguinte, continuaram a parceria com “Say, Say, Say“. Ficaram muito amigos e numa conversa sobre negócios Paul acabou dizendo que gostaria de criar uma editora/gravadora para que pudesse ter os direitos sobre as músicas. Michael diz, em tom que parecia de brincadeira:

“eu vou ter as suas”; 

restando ao Paul apenas um

“ah, você…”

– fato contado em uma descontraída entrevista ao David Letterman, meses após a morte de Michael.

No entanto, Michael Jackson realmente cumpriu com sua promessa. Em 1985, já consagrado mundialmente após o estrondoso sucesso de seu álbum “Thriller”, adquire o controle da ATV Music – que havia comprado anteriormente todo o catálogo da Northern Songs (que detinha os direitos sobre as canções dos Beatles) – e passa a ter direitos sobre a veiculação das músicas de Lennon/McCartney, desejo que Paul sempre externou. A máxima “amigos, amigos, negócios à parte”  nem sempre funciona. E finaliza, assim, a bem sucedida, mas breve parceria.

Em 1995, Paul reuniu-se com Ringo Starr e George Harrison para gravar uma série de entrevistas que se consolidaram no documentário “The Beatles Anthology”, transmitido pela rede ABC e lançado em VHS, no ano seguinte e em DVD, no ano de 2001.

O projeto especial contava, também, com um livro de entrevistas, deles e de amigos, além de algumas pessoas que fizeram parte de sua história. E, com três álbuns duplos nos quais foram incluídas, também, algumas músicas inéditas e outras, já conhecidas, em versões diferentes das anteriormente lançadas. Duas delas foram mixadas especialmente para os álbuns “Free as a Bird” (1995) e “Real Love” (1996), com a voz do ex-Beatle John Lennon junto com os outros ex-integrantes da banda.

Em 2001, Paul perde mais uma das pessoas importantes de sua vida. Naquele fatídico novembro, o ex-Beatle George Harrison morre de câncer.

 

 Adversidades, superações, questões humanitárias e sucesso

Sua vida particular também é marcada com alguns sobressaltos. Sua primeira esposa, Linda McCartney, perdera a luta contra um câncer de mama (mesma doença que levou sua mãe), vindo a falecer em 1998, numa situação que gerou suspeitas de um suicídio assistido, pois somente dois dias após a cremação é que anunciaram a sua morte. Em 1999,  realizou o show “A Concert For Linda”, que contou com a participação de Eric Clapton, George Michael, Elvis Costello, Phil Collins, The Pretenders e Tom Jones. De sua união com Linda, Paul tem duas filhas (Mary e Stella) e seis netos (Arthur, Elliot, Miller, Becket, Beiley, Reiley).

Casando-se em 2002 com Heather Mills, uma ativista de causas humanitárias, Paul protagoniza um dos mais caros divórcios da história, que rendeu à ex-mulher a quantia de 24,3 milhões de libras (quase 90 milhões de reais). A canção “Get Yourself Another Fool” rendeu comentários sobre uma referência a seu malfadado divórcio, mas Paul desmente tal ligação, dizendo apenas tratar-se de um “blues”. Com Heather, Paul teve uma filha, Beatrice.

Em 09 de outubro de 2011, Paul se casa com a empresária americana Nancy Shevell – que, curiosamente, já venceu uma batalha contra um câncer de mama. Para ela, oferece a canção “My Valentine”, em seus shows.

Com tamanha trajetória, Paul coleciona músicas que alcançaram os primeiros lugares nas paradas de sucesso americanas, britânicas, australianas, mundiais: vinte delas com os Beatles e as outras em sua carreira solo ou com o grupo Wings. A canção “Yesterday“, de sua autoria, é a composição com mais regravações em toda a história da música. Apesar de tudo isso, diz que ainda se excita ao sentar ao piano e tentar pensar em “uma melodia e algumas palavras” e muitas delas surgem bem facilmente. Ou seja, ainda ama o que faz, talvez mais intensamente do que antes.

Paul construiu, ao longo dos anos, um imponente patrimônio, e é proprietário da MPL Communications, detentora de um catálogo que incluiu direitos autorais de Buddy Holly, Carl Perkings e Meredyth Wilson. Não satisfeito, McCartney acredita que a música é uma poderosa ferramenta e que através de sua profissão pode conseguir sensibilizar as pessoas para várias causas humanitárias, como “The One Voice Movement”, “PETA”, “LIPA”, “Nordoff-Robbins”, e “The Vegetarian Society”. Ele tornou-se defensor da comida vegetariana, notadamente após uma pescaria em que percebeu que aquela vida que se debatia em seu anzol era tão importante quanto a sua. Em 1997, McCartney foi condecorado com o título de Sir, honraria concedida pela rainha da Inglaterra e título de nobreza de alto valor, correspondente a “Cavaleiro do Império Britânico”.

Seu mais recente trabalho “Kisses On The Bottom” é uma “jornada profundamente pessoal através clássicas composições americanas que, em alguns casos, um jovem Paul ouviu pela primeira vez seu pai executar no piano em casa” e conta com as participações especiais de Eric Clapton(“My Valentine” e “Get Yourself Another Fool”) e Stevie Wonder (“Only Our Hearts“).

 

Relação de amor com o Brasil

No começo da década de 90, McCartney veio ao Brasil pela primeira vez. Os motivos de tamanho atraso são vários, dentre eles o atraso cultural provocado pela ditadura e a falta de coragem por parte dos produtores nacionais que temendo pouco retorno financeiro, preferiram não investir verbas nos espetáculos de um dos artistas mais bem pagos da indústria. Naquela ocasião, um Maracanã lotado se rendeu ao talento de Paul, que fez público se sentir ‘indenizado’ por tanto tempo sem vir em terras brasileiras.

Os fãs brasileiros, recentemente arrebatados pelo carisma e competência de Sir Paul, tem sido mais favorecidos do que os que amavam “Beatles e os Rolling Stones”, pois, depois de 17 anos sem vir ao Brasil, Macca tem marcado presença constante no nosso país, desde 2010, com memoráveis shows recheados de muita energia e de uma setlist de dar inveja a qualquer músico existente. Para a recente turnê “On The Run”, ele preparou um repertório de 35 músicas e realizou 02 shows em Recife – PE e 01 em Florianópolis – SC. Com a turnê “The Up And Coming”, apresentou-se em São Paulo e em Porto Alegre, em novembro de 2010, retornando em 2011, com 02 apresentações memoráveis no Rio de Janeiro, que rendeu aos brasileiros uma sensível carta de agradecimento:

Estar no Rio foi fantástico desde o minuto que pousamos. A multidão em volta do hotel era “bananas” (maluca). Eles eram loucos e a atmosfera foi crescendo até fazermos os shows. Eu amo o Brasil. Eu amo o fato de eles amarem música, é uma nação muito musical. Eu amo música e eles amam música, então é uma conexão natural. Fãs de todas as idades estavam nos shows. Tinha um enorme grupo de fãs jovens, que eu amo, e também tinha seus pais e até seus avós. Então era uma enorme variedade de idade. O entusiasmo pela minha música era simplesmente sensacional. Todos nós da banda curtimos esse momento maravilhoso e nós agradecemos aos fãs por tornarem tudo tão excitante. Quando tocamos “Hey Jude” e pedi a plateia para cantar “na na na na’s”, de repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho. Eles poderiam ter apenas vindo ao show e assistido, mas eles se falaram antes para criar este momento especial. Ele se conectaram uns com os outros, depois conectaram-se conosco, com a equipe inteira. Todos se sentiram unidos. Foi muito excitante e emocionante ver que as pessoas se importam tanto.

Paul McCartney A Plan Music Entretenimento é a maior responsável pela vinda do ídolo pop ao Brasil, tendo promovido suas turnês em 2010, 2011, e 2012 e é do mesmo grupo que trouxe Paul pela primeira vez ao país, em 1990. Show que entrou, inclusive, para o livro dos recordes – o Guiness Book-, por ter reunido 184 mil pessoas no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Aportou por aqui, também, em um modesto show no Pacaembu, São Paulo, em 1993. No site Paul in Brazil pode-se descobrir tudo sobre os shows que o britânico realizou no país.

Confira imagens do mais recente show do Macca no Brasil, em Recife (PE):

Muitos não conheciam toda a história do ex-Beatle, mas, confessem: quem aqui nunca havia ouvido falar de Paul McCartney? Em seu site oficial, podemos desfrutar de toda sua carreira com vídeos, fotos, e histórias sobre um dos maiores artistas da música, ainda vivo.

Cantor, compositor, baixista, guitarrista, pianista, empresário, produtor musical, produtor cinematográfico e, ainda, ativista dos direitos dos animais, resumiriam Paul McCartney se todos esses ofícios e “adjetivos” conseguissem alcançar o que ele significa na história da música.

Vegetariano convicto e tendo se poupado do exagerado consumo de drogas, comum aos grupos na década de 1960, Paul McCartney esbanja boa forma, ainda hoje.

Pra quem não tem mais nada a provar e escreveu uma trajetória com “caneta de ouro”, Sir Paul “rocks”!

Longa vida ao gênio…

Fonte: www.cifraclubnews.com.br

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