Esôfago

O esófago ou esôfago  é um canal que conduz o alimento até o estômago.O esôfago é um conduto musculoso de contrações involuntárias, controladas pelo sistema nervoso autônomo, que, dando continuidade ao trabalho da faringe, levam o alimento até o estômago.

Suas contrações através dos movimentos peristálticos fazem com que o bolo alimentar avance até ao estômago (em 2 segundos, aproximadamente), mesmo que se esteja de cabeça para baixo.

É um órgão condutor muscular, localizado entre o extremo inferior da laringo-faringe e o superior do estômago, que faz parte do aparelho digestório unindo a faringe ao estômago. Sua principal função é levar os alimentos até o estômago.

 

Histologia

O esôfago é oco e formado por três camadas: mucosa, submucosa e muscular e externamente uma adventicia. A camada mucosa apresenta tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e glândulas mucosas. A camada submucosa contém pequenas glândulas que lançam suas secreções em direção á luz do esôfago, estas secreções atuam contra agentes infecciosos do meio externo. A camada muscular se divide em externa e interna.

É revestido por epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado e/ou parcialmente queratinizado, segundo a zona de localização na mucosa esofágica e a natureza da dieta alimentar, que é protegido por muco de glândulas mucosas menores situadas na parede do órgão.

Ele está divido em 3 partes: uma proximal, uma média e outra distal. Na parte proximal as fibras musculares são na sua maioria estriadas esqueléticas, já na sua parte distal, na proximidade do estômago todas as fibras são musculares lisas.

Vascularização: A porção cérvico-torácica do esôfago é suprida pelas artérias tireoidianas inferiores, através de ramos ascendentes e descendentes. As artérias bronquiais e esofágicas, ramos diretos da parte torácica da aorta, também são responsáveis por parte do suprimento sanguíneo esofágico. As artérias gástrica esquerda e artéria frênica inferior esquerda fazem a vascularização arterial da porção abdominal do esôfago.

 

Veja melhor como funciona este processo no vídeo:

 

Doenças do esôfago

No Brasil, o câncer de esôfago é o 6º entre mais frequente entre os homens e 15º entre as mulheres, excetuando-se o câncer de pele não melanoma. O tipo de câncer de esôfago mais frequente é o carcinoma epidermoide escamoso, responsável por 96% dos casos. Outro tipo, o adenocarcinoma, vem aumentando significativamente.

Tendo como principais causas o consumo de álcool e cigarro, a deficiência de vitaminas (A,C,B) ou de oligoelementos (Zn e Mo), contaminação de alimentos por fungos, o hábito de ingerir bebidas quentes (chimarrão, café) e o refluxo gastroesofágico, onde ácidos do estômago e sucos biliares atingem continuamente o esôfago. Preventivamente, o paciente com refluxo gastroesofágico pode, a critério médico, ser submetido a um tratamento clínico com medicamentos chamados de "inibidores de bomba de prótons" a longo prazo ou ao tratamento cirúrgico. Quando o paciente já apresenta alterações malignas do epitélio, caracterizadas como câncer de esôfago, o tratamento curativo é a esofagectomia.

Outra possível patologia de quem possui doença do refluxo gastroesofágico é o esôfago de Barrett onde o epitelio esofagico acaba por sofrer uma metaplasia para tecido gastrico, podendo levar a uma neoplasia esofagica.

A história clínica é extremamente importante no diagnóstico de doenças do esôfago. Com uma história detalhada, é possível descobrir a causa dos sintomas na maioria dos casos. Mesmo assim, diversos exames complementares estão disponíveis e são usados rotineiramente para confirmar o diagnóstico ou excluir outras causas. O principal exame complementar para a avaliação do esôfago é a endoscopia digestiva alta pois, apesar de desconfortável, é o exame mais eficiente para um amplo espectro de doenças e é o melhor para descartar ou confirmar a presença de câncer, pela possibilidade de coleta de material para biópsias. Outros exames frequentemente usados incluem o raio-X contrastado, a pHmetria e a manometria.

 

Sintomas

Alguns sintomas estão relacionados a doenças do esôfago e se referem diretamente a a causas específicas:

  • Pirose ( queimação )
  • Regurgitação
  • Odinofagia ( dor ao engolir )
  • Dor torácica
  • Disfagia ( dificuldade para engolir )

Pirose (queimação): É a sensação de queimadura que sobe do epigastro (aonde fica o estômago, pela região retroesternal (atrás do osso central do tórax) e que pode chegar até o pescoço. Costuma estar relacionado a alimentos e à posição (geralmente piora quando se deita). Cerca de um terço das pessoas tem esse sintomas uma vez ao mês e 7% de todas as pessoas tem esse sintoma diariamente. A grande maioria das vezes a queimação é causada pela doença do refluxo gastroesofágico. Só com esse sintoma, é possível realizar o diagnóstico correto da DRGE em 80% dos casos (valor preditivo positivo). No entanto, a ausência de pirose não descarta a presença de DRGE, pois apenas 80% dos portadores de refluxo apresentam esse sintoma.

Regurgitação: É o refluxo de pequenas quantidades de material de sabor ácido para a boca, geralmente após as refeições. Ocorre em cerca de um terço dos portadores da doença do refluxo gastroesofágico, mas podem ocorrer ocasionalmente com qualquer pessoa, principalmente após refeições em grande quantidade.

Odinofagia: É a dor após engolir, quando o alimento está passando pelo esôfago. Esse sintoma é relativamente raro na doença do refluxo gastroesofágico, pois geralmente reflete erosões mais graves ou úlceras, particularmente aquelas causadas por infecções do esôfago (monilíase, citomegalovírus, herpes e outras) ou por medicamentos.

Dor torácica: Pode ocorrer por doenças do esôfago e pode ter as mesmas características de dor de origem cardíaca ( angina ). Cerca de 25 a 50% das dores torácicas são consideradas dor torácica não cardíaca. Nem sempre a dor de origem esofágica aparece em conjunto de outros sintomas dispépticos, pode ser sintoma único em 10% dos casos. Ao contrário do que se costuma pensar, algumas medicações para doenças cardíacas podem melhorar a dor causada por doenças do esôfago, portanto a melhora com medicamentos não serve para diferenciar a dor cardíaca da esofágica. Obviamente, como os riscos de doenças cardíacas são maiores do que das esofágicas, convém descartar uma causa cardíaca o mais rápido possível.

Disfagia: É a dificuldade de passagem do alimento da boca até o estômago. Deve-se diferenciar a disfagia por um distúrbio da deglutição ( ato de engolir ) da por doenças do esôfago. A disfagia orofaríngea ocorre em até 1 segundo e geralmente é causada por doenças musculares ou neurológicas, mas também pode ser causada por úlceras orais, tumores ou divertículo de Zenker. A disfagia de origem esofágica pode ter diversas causas:

A dor durante a deglutição pode ser o resultado de qualquer dos seguintes problemas:

  • Destruição do revestimento esofágico (mucosa), como consequência da inflamação causada pelo refluxo ácido a partir do estômago.
  • Infecções da garganta por bactérias, vírus ou fungos.
  • Tumores, substâncias químicas ou alterações musculares, como a acalásia e o espasmo difuso do esófago.

A dor pode ser percebida como uma sensação de queimadura ou uma retracção por baixo do esterno, que acontece tipicamente quando a pessoa engole alimentos sólidos ou líquidos. Um sintoma típico dos problemas musculares do esófago é uma dor intensa e opressiva que acompanha a deglutição difícil de bebidas quentes ou frias.

 

Esôfago de Barrett

As células que recobrem o esôfago diferem daquelas que recobrem o estômago ou intestino, principalmente porque eles tem diferentes funções.

Eles também tem uma aparência distinta, sendo fácil o médico durante o exame observar esta distinção. Normalmente há uma área no fim do esôfago que marca a borda entre as células do esôfago e do estômago.

O esôfago de Barrett, é o crescimento anormal de células do tipo gástrico acima deste bordo, dentro do esôfago. Desde que as células do revestimento do estômago são protegidos do contato com o ácido, seu crescimento dentro do esôfago pode de fato defender contra o refluxo ácido.

Este mecanismo pode proteger o tecido normal do esôfago contra posterior dano do refluxo. Isto pode explicar porque os sintomas do refluxo em pacientes com esôfago de Barrett são poucos acentuados. Infelizmente este tecido modificado do estômago em local não habitual (porção inferior do esôfago), pode transformar-se em tecido maligno.

O câncer da parte superior do esôfago é associado com o álcool e fumo. Este tipo de câncer está diminuindo na população, enquanto a porcentagem nos casos de câncer do esôfago inferior estão aumentando muito. Na fase inicial, o esôfago de Barrett tem modificações celulares conhecidas como displasias.

De 2 a 5 anos, essa displasia pode progredir para baixo ou auto grau de displasia, e finalmente para o câncer. Felizmente isto acontece somente em 5% dos pacientes com esôfago de Barrett.

 

Causas e sintomas

Por razões desconhecidas, o esôfago de Barrett é encontrado 3 vezes mais em homens que em mulheres. Em algumas ocasiões, o esôfago de Barrett parece ser congênito (presente no nascimento).

Fortes evidências atuais identificam o refluxo prolongado como a causa mais frequente do esôfago de Barrett. Pacientes com esôfago de Barrett geralmente tem sintomas similares daqueles produzidos pelo RGE crônico, como: azia e refluxo ácido do estômago para boca(gosto amargo ou azedo na boca).

Alguns pacientes também podem sofrer complicações do refluxo, como úlcera e estenose (estreitamento do esôfago).

 

Diagnóstico

Para o diagnóstico é necessário fazer a endoscopia. Durante este exame são colhidos fragmentos do esôfago que serão examinados no microscópio para ver se há alterações nas células.

 

Tratamento

A - Procure alimentar-se 3 horas antes de dormir;

B - Evite fumar;

C - Reduza a ingestão de alimentos gordurosos: leite, chocolate, café, bebidas gasosas, laranja e suco de laranja, produtos com tomate, pimenta e álcool;

D - Coma em pequenas porções;

E - Evite usar roupa apertada;

F - Elevar a cabeceira da cama na altura de 1 lajota.

Elevar apenas o travesseiro não ajuda.

 

Medicação

Certos tipos de remédios ajudam a inibir a produção de ácido do estômago. Estes medicamentos são o omeprazol e o lanzoprazol, tomado 1 a 2 vezes por dia. Outras drogas como a cimetidina e ranitidina também podem ajudar.

 

Cirurgia

A indicação de cirurgia é para corrigir o refluxo. Este tipo de cirurgia é chamado fundoplicatura. Atualmente é feito pela laparoscopia. Esta é uma cirurgia de invasão mínima, com 5 orifícios de 1cm, sob anestesia geral.

Mesmo após a cirurgia é necessário acompanhamento endoscópio com biópsia para reduzir o risco de câncer. São realizados biópsias para observar se há ou não alterações celulares. Se o câncer for encontrado é necessário remover o esôfago inferior.

 

Resumindo

O esôfago de Barrett é uma condição que pode desenvolver como resultado de refluxo crônico. O tecido de Barrett cresce no esôfago como uma tentativa do organismo para defender-se contra a contínua irritação do refluxo ácido do estômago.

Assim, como este tecido não pertence ao esôfago, em alguns pacientes aumenta o risco de câncer e complicações podem ser minimizadas com a dieta, medicação e com a cirurgia. É importante a monitorização endoscópica. A proximidade com seu médico ajudará a ter um bom controle e um excelente resultado a longo prazo.

 

Câncer de esôfago?

O câncer esofágico é um tumor maligno do esôfago, o tubo muscular que movimenta o alimento da boca para o estômago.

Causas: O câncer esofágico não é muito comum nos Estados Unidos. Ocorre com maior frequência em pessoas com mais de 50 anos.

Existem dois tipos principais de câncer esofágico: carcinoma de células escamosas e adenocarcinoma. Esses dois tipos são diferentes quando observados no microscópio.

O câncer esofágico de células escamosas está associado ao fumo e ao consumo de álcool.

O Esôfago de Barrett, uma complicação da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), aumenta o risco de adenocarcinoma do esôfago. Esse é o tipo mais comum de câncer esofágico. Outros fatores de risco do adenocarcinoma do esôfago incluem:

  • Sexo masculino
  • Obesidade
  • Fumo


Alcoolismo: O maior fator de risco para câncer de esôfago é o alcoolismo, principalmente quando associado ao fumo. Pessoas que ingerem 80 gramas ou mais por dia de álcool na forma de bebidas, têm um risco muito aumentado para esse tipo de tumor, sendo que 80 gramas de álcool = 4 a 5 doses de uísque ou cachaça ou 4 a 5 latinhas de cerveja ou 3 a 4 cálices de 200 ml de vinho.

Fumo: Fumar cigarro é fator de risco para câncer de esôfago (principalmente quando a pessoa fuma mais de 40 maços de cigarro por ano).

Doenças anteriores ou associadas: Pessoas que têm história de Doença de Chagas que comprometeu o esôfago (megaesôfago), carcinomas de outros locais, principalmente da cabeça e do pescoço, doença celíaca ou esofagite de refluxo com alterações da porção inferior da mucosa do esôfago (Esôfago de Barret) têm um risco aumentado para esse tipo de câncer.

Infecções: Pessoas que tem a bactéria Helicobacter pylori detectada através de uma endoscopia, têm menor chance de desenvolver esse tipo de câncer. Esse tipo de infecção causa, na maioria das vezes, sintomas semelhantes a uma gastrite e aumenta o risco de outro tipo de câncer, o câncer de estômago. Estudos têm associado o câncer de esôfago ao Papilomavírus humano (HPV), que também está relacionado ao câncer de colo uterino.

Dieta: Comer muitos alimentos salgados, defumados ou que foram preservados de forma inadequada, contaminados por aspergillus ou ricos em nitritos e nitrosaminas pode aumentar o risco de um indivíduo para esse tipo de câncer.

Desnutrição, principalmente associada ao alcoolismo e deficiência vitamínica (vitaminas A, B e C), estão associados a uma maior chance de ter esse tipo de câncer.

Líquidos quentes, como chimarrão, estão associados a um maior risco para desenvolver esse tumor.

Raça: Pessoas da raça negra têm mais risco de desenvolver esse tumor.

 

Exames

Os exames usados para ajudar a diagnosticar o câncer esofágico podem incluir:

  • Enema de bário
  • Ressonância magnética do peito ou tomografia computadorizada torácica (geralmente usada para ajudar a determinar o estágio da doença)
  • Ultrassom endoscópico (também pode ser usado para determinar o estágio da doença)
  • Esofagogastroduodenoscopia (EGD) e biópsia
  • Varredura por PET (às vezes útil para determinar o estágio da doença e se a cirurgia é possível)

O exame de fezes pode mostrar pequenas quantidades de sangue nas fezes.

 

Sintomas de Câncer de esôfago

  • Movimento no sentido inverso do alimento através do esôfago e possivelmente da boca (regurgitação)
  • Dor no peito não relacionada ao ato de comer
  • Dificuldade para deglutir sólidos ou líquidos
  • Azia
  • Vômito com sangue
  • Perda de peso
  • A azia é o principal sintoma do refluxo gastroesofágico.

Tratamento

Quando o câncer esofágico ocorre apenas no esôfago e não se espalha, a cirurgia é o tratamento recomendado. O objetivo da cirurgia é remover o câncer.

Algumas vezes a quimioterapia, a radiação ou uma combinação das duas pode ser usada em vez da cirurgia, ou para facilitar a realização da cirurgia.

Se o paciente estiver muito doente para fazer uma cirurgia grande ou se o câncer tiver se espalhado para outros órgãos, poderá ser usada a quimio ou a radioterapia para ajudar a reduzir os sintomas. Isso é chamado de tratamento paliativo. Nesses casos, a doença geralmente não é curável.

Outros testes que podem ser feitos para ajudar o paciente a engolir incluem:

  • Dilatação endoscópica do esôfago (às vezes com a colocação de um stent para manter o esôfago dilatado).
  • Terapia fotodinâmica, na qual uma droga especial é injetada no tumor e exposta à luz. A luz ativa o medicamento que ataca o tumor.

 

Expectativas

Geralmente, o câncer esofágico não é curável. Se o câncer não tiver se disseminado para fora do esôfago, a cirurgia pode aumentar as chances de sobrevivência. A radioterapia é usada no lugar da cirurgia em alguns casos em que o câncer não tenha se espalhado para outros órgãos.

Para pacientes com câncer disseminado, a cura geralmente não é possível. O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas.

 

Complicações possíveis

  • Dificuldade para deglutir
  • Pneumonia
  • Perda de peso grave resultante de alimentação insuficiente
  • Disseminação do tumor para outras áreas do corpo

 

Prevenção

As orientações a seguir podem ajudar a reduzir o risco de câncer esofágico de células escamosas:

  • Evite fumar
  • Diminua ou elimine bebidas alcoólicas

Pessoas com sintomas de refluxo gastroesofágico grave devem procurar assistência médica.

O exame com EGD e a biópsia em pessoas com esôfago de Barrett pode levar à descoberta precoce e à maior chance de sobrevivência. Indivíduos diagnosticados com esôfago de Barrett devem considerar a possibilidade de ser examinados regularmente para verificar se há câncer esofágico.

 

O que é detecção precoce ou screening de um tipo de câncer?

Detecção precoce ou screening para um tipo de câncer é o processo de procurar um determinado tipo de câncer na sua fase inicial, mesmo antes que ele cause algum tipo de sintoma. Em alguns tipos de câncer, o médico pode avaliar qual grupo de pessoas corre mais risco de desenvolver um tipo específico de câncer por causa de sua história familiar, por causa das doenças que já teve ou por causa dos hábitos que tem, como fumar, consumir bebidas de álcool ou comer dieta rica em gorduras.

A isso se chama fatores de risco e as pessoas que têm esses fatores pertencem a um grupo de risco. Para essas pessoas, o médico pode indicar um determinado teste ou exame para detecção precoce daquele câncer e com que frequência esse teste ou exame deve ser feito. Para a maioria dos cânceres, quanto mais cedo (quanto mais precoce) se diagnostica o câncer, mais chance essa doença tem de ser combatida.

Fonte: pt.wikipedia.org / www.minhavida.com.br / www.cccastelo.com.br / www.abcdasaude.com.br / www.portalsaofrancisco.com.br

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