Dicró "O sambista bem humorado"

Carlos Roberto de Oliveira, mais conhecido como Dicró, nasceu em Mesquita no dia 14 de fevereiro de 1946, foi cantor e compositor brasileiro de sambas satíricos. Ao lado de Moreira da Silva, Osmar do Breque, Germano Mathias e Bezerra da Silva, é considerado um dos principais sambistas da linha humorística. Entre suas letras bem-humoradas, destacam-se aquelas em que ele falava mal da própria sogra.

Filho de mãe de santo, Dicró cresceu na favela do bairro de Jacutinga, na cidade de Mesquita. Desde cedo frequentava as rodas de samba organizadas por sua mãe em seu próprio terreiro. Eventualmente tornou-se compositor, integrando a ala das escolas de samba Beija-Flor, em Nilópolis, e Grande Rio, em Duque de Caxias. Dicró era vascaíno doente

É dessa época o surgimento do apelido Dicró. De acordo com o poeta Sérgio Fonseca, os sambas da autoria de Carlos Roberto eram impressos com as iniciais de seu nome, "CRO". Com o tempo, a pronúncia e os erros tipográficos, o "De CRO" mudou para "Di CRO", para no fim se tornar "DICRÓ".

Em 1991, estreou como dramaturgo com o texto "O dia em que eu morri". Durante o governo de Anthony Garotinho no Rio de Janeiro, foi um dos principais incentivadores da criação do Piscinão de Ramos. Compôs diversas músicas para o projeto, passando a ser considerado "Prefeito do Piscinão". Manteve um trailer no local, que se tornou ponto de encontro de sambistas e grupos de pagode.

 

O bem-humorado sambista carioca, que teve como alvo de vários dos seus sambas as sogras (“Sequestraram Minha Sogra”, “Minha Sogra Parece Sapatão”, “A Vaca da Minha Sogra” etc.) tinha, coincidentemente, o mesmo nome de Roberto Dinamite – craque do seu time do coração.

Além das sogras, alguns de seus grandes sucessos versaram, com muita graça, sobre as agruras e delícias do morador da periferia do Rio de Janeiro. Caso da sempre lembrada “Praia de Ramos”.

Dicró lançou seu primeiro LP solo, “Barra Pesada”, em 1978. Entre suas músicas de sucesso nessa primeira fase da carreira, nos anos 1970 e 1980, destacam-se também “Funeral do Ricardão” e “Olha a Rima”, uma brincadeira com as músicas de duplo sentido.

Em 1995, ao lado de dois ilustres Silva do samba com humor (Moreira e Bezerra), Dicró, posou de smoking para uma foto nas escadarias do Teatro Municipal do Rio. Dali sairia a capa do disco “3 Malandros in Concert”. Em plena onda dos três tenores — Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras.

 

Sua discografia
  • O piscinão (2002)
  • O gozador (1999)
  • Bezerra, Moreira e Dicró - Os 3 Malandros In Concert (1995) (com Moreira da Silva e Bezerra da Silva)
  • O bingo da sogra (1994)
  • Mister dicró (1988)
  • Duro na queda (1986)
  • Funeral do Ricardão (1984)
  • O professor (1981)
  • Dicró (1980)
  • Dicró (1979)
  • Barra pesada (1978)
  • A hora e a vez do samba (1977)

Dicró era um personagem que o cantor encarnava nas mais diversas ocasiões. Seja no palco, na banquinha de camelô que levava nos últimos anos para as ruas para vender seus próprios CDs ou no quadro no “Fantástico”, que teve em 2010. Nele, o sambista era escalado para cobrir eventos “de bacana”, como o São Paulo Fashion Week. Com todo o estranhamento e o jogo de cintura do morador da Baixada Fluminense, ele proporcionou momentos de humor na TV brasileira.

Portador de diabetes, neste mesmo ano passou a enfrentar sérios problemas de saúde.

No dia 25 de abril de 2012, voltando para casa após uma sessão de hemodiálise, sentiu-se mal, vindo a ser internado em um hospital de Magé. Morreu poucas horas depois, em decorrência de um infarto. Foi sepultado no dia seguinte no Cemitério Parque Jardim de Mesquita, na Baixada Fluminense.

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