Raça de Cachorro - Pequinês

Pequinês é uma antiga raça de cão miniatura, originária da China. É usado como cão de companhia por ser dócil, corajoso, leal e indiferente.

 

Origem

De acordo com lenda chinesa, este pequeno canino é o resultado de um amor impossível entre um leão e uma diminuta macaca. Com o auxílio do deus Hai Ho, o leão sacrificou seu tamanho por amor, nascendo assim o pequinês, bravo como pai, pequeno, inteligente e doce como a mãe. De concreto, sabe-se que esta raça existe há mais de 4 000 anos, embora tenha se tornado conhecida através da ascensão do Budismo, quando conquistou o estatuto de animal sagrado, sob a alcunha de "leão de Buda", e vivia isolado na Cidade Proibida.

Todavia, em 1860, após saque feito ao Palácio Imperial por tropas britânicas, estes cães foram levados ao Ocidente. Dizem os registros históricos que apenas cinco destes animais sobreviveram ao massacre promovido pela realeza chinesa, que preferia ver seus bichos mortos a vê-los nas mãos de estrangeiros. O fato é que este cão excepcional quando analisamos seu temperamento e sua estrutura, vivia recluso na Cidade Proibida e era o grande favorito da família Imperial de Pequim, geralmente andavam na companhia do imperador ou da imperatriz.

Por serem considerados sagrados eram proibidos aos plebeus e rouba-los significava punição rigorosa, inclusive com pena de morte. Há relatos da existência de pequenos cães de luxo, provavelmente ancestrais deste cão, já em 620 DC e que nos dá indícios do desenvolvimento da raça. Devido ao comércio existente na época, há quem acredite que os ancestrais da raça saíram do Egito rumo ao Tibet pelas mãos mercantes e deste, para a China, já que na época estes países mantinham relações comerciais.

Acredita-se que esta raça tinha mais de 2000 anos de idade quando foi encontrada na China. É evidente que os achados que sustentam esta informação, referem à existência de cães que podem ter originado a raça, e o processo de procriação, reservado às antigas Dinastias Chinesas, levou-o ao aspecto dos cães encontrados naquele ano de 1860.

Depois, com sucessivas seleções de exemplares, aliado ao padrão para a raça estabelecido, chegou-se ao que hoje chamamos de exemplar típico da raça.

 

Personalidade

Sua personalidade é descrita como altiva e independente, o que representaria desafio para donos inexperientes. É especulado ainda que essa independência seja a razão para que o pequinês ocupe a posição 73 das 79 no livro A Inteligência dos Cães de Stanley Coren. Apesar disso, é considerado bom cão de alarme, ainda que também sejam conhecidos por ignorarem pessoas que não façam parte de seu dia-dia.

Mas por outro lado, o cão é um ótimo companheiro e excelente para todas as idades. Bem equilibrado e valente, possui aspecto leonino e é capaz de defender-se. A valentia desta raça pode ser confundida com agressividade devido à fama difundida nos últimos anos, sobretudo no Brasil. Na verdade o pequinês é uma raça corajosa que frequentemente se esquece de seu tamanho em relação a cães estranhos e às vezes, de grande porte.

Gostam de vigiar o espaço que eles entendem como seu território. Com humanos são meigos e dóceis, porém são reservados com estranhos. Os cruzamentos inadequados na década de 60 e 70 podem ter gerado exemplares mais agressivos, principalmente quando houve mistura de raças, mas em regra geral o que chamamos de exemplar legítimo da raça não deve ter este comportamento.

 

Características Físicas

Os olhos da raça pequinês são grandes, cristalinos, de cor escura e brilhante, levemente proeminentes e redondos. As orelhas, em forma de coração, são providas com longas franjas. O pescoço do cão pequinês é um pouco curto e grosso. O tronco é curto, mas com tórax amplo. A cauda é de inserção alta, posição rígida, levemente curva sobre o dorso, com franjas abundantes.

A pelagem da raça pequinês é longa e reta, com crina abundante que se estende atrás dos ombros, formando uma espécie de coleira ao redor do pescoço. A pelagem de cobertura do pequinês é basta, com franjas abundantes nas orelhas, nos membros, nas coxas, na cauda e nos pés. Todas as cores e marcas são admitidas para esta raça, e apreciadas igualmente, com exceção do albino e da cor de fígado.

Os exemplares multicolores apresentam manchas bem definidas. O peso da raça pequinês fica entre os 2 e 8 kg. O aspecto do Pequinês variou pouco ao longo do tempo. A diferença se fundamenta sobretudo na pelagem menos abundante e membros menos arqueados. Os olhos podem ser discretamente proeminentes mas não é desejável animais exoftálmicos, ou seja, exibir saliência exagerada do globo ocular.

 

No Brasil

No Brasil, à partir da década de cinquenta, a raça receberia um impulso advindo da importação de exemplares importados para a melhora do plantel nacional, as décadas de 60 e 70 marcam uma verdadeira "febre" pela raça. Muitos lares tinham seu exemplar, típico ou não, mas que dava idéia da dimensão da popularidade da raça no país.

Com a criação do Clube Paulista do Pequinês, dirigido pela Sra Yvonne Malanconi Mossi, alguns criadores, entre eles, Dna Belkis, procuravam criar critérios de distinção e divulgação do padrão correto da raça. Precisamos lembrar, entretanto, que naquela época a televisão, revistas especializadas, e outros veículos de informação não tinham a abrangência que têm hoje.

O que se seguiu foi uma sequência de acasalamentos que resultaram em descendentes fora daquelas características marcantes e desejadas. A ausência de importações, a formação de criadouros meramente comerciais e a mestiçagem da raça, causaram uma sensível redução no número de cães em exposição e a descaracterização da raça. Como mesmo modo que cresceu o número de animais, supostamente pequineses, decresceu a partir da década de 70.

Outras pequenas raças, naquela época denominadas cães de luxo, foram introduzidas no país, e isto teria contribuído para o escasso número de exemplares que se viu posteriormente. A cultura dos acasalamentos sem critérios, sem noções de qualidade, terminou por gerar animais mestiços, congênitos e degenerados quando analisamos sob a ótica do rigor técnico.

As famílias de cães usadas na procriação, ainda que legítimos, não eram precursoras dos caracteres físicos e genéticos desejados. Não queremos discorrer sobre erros do passado, apenas cita-los como forma de experiência para o futuro. A década de 90 marca um novo recomeço para a raça no Brasil com a entrada, em solo nacional, de excelentes animais importados.

 

Cuidados

É necessário que o dono esteja sempre atento aos cuidados típicos para a raça. Levando-se em conta que eles não tem focinho e são valentes ao extremo com outros cães; uma briga pode ocasionar algum trauma nos olhos e isto não é o que desejamos. Mantendo os olhos limpos, evitando confrontos, retirando obstáculos perigosos e eliminando o péssimo hábito de suspender o cão pela pele do pescoço não há o que temer em relação a este problema.

Estes cuidados podem ser aplicados a cães de outras raças também.

 

Queda de Pêlos

Esta raça faz muda de pêlo em períodos que variam de uma a duas vezes por ano. Na verdade há uma troca de sub-pêlo em períodos variáveis que podem ser aquele que antecede o cio das fêmeas e a primavera nos machos. Quanto maior o volume de subpêlo maior a quantidade perdida na troca. Questões climáticas podem também reduzir, acelerar ou aumentar a perda do pêlo.

A queda de pêlo é natural em cães (até em humanos) mas o comprimento dos fios (longo ou curto) em outras raças pode sugerir que esta característica é exclusiva do pequinês. No pequinês a troca se faz a partir da queda por um curto período (em regra) que pode variar de 2 a 4 semanas em média. Uma rotina de escovação neste prazo e um banho ao final ajudam na remoção de pêlos mortos.

Esta característica é deixada em segundo plano quando levamos em conta que o pequinês é um cão tranquilo, leal, companheiro e não late por qualquer motivo. Não tenha dúvida de que a sua dedicação vai ser recompensada por estes pequenos guardiões e em pouco tempo a mudança de pêlo não terá qualquer importância para você.

 

Acasalamento

Os machos são propensos ao acasalamento natural, mas a impaciência dos proprietários ou até a necessidade de preservar a pelagem nos cães espetaculares (exposição) podem interferir no cruzamento dos animais. Embale literalmente a pelagem posterior de machos e fêmeas para impedir acidentes com os longos fios de pêlos durante a cobertura.

Também remova a pelagem da região genital dos exemplares e nas fêmeas apare a região posterior liberando a vulva para o coito. Mantenha o casal em ambiente limpo e tranquilo e acompanhe o preparo ao acasalamento. Macho pequeno em relação à fêmea pode requerer a ajuda do proprietário. O médico veterinário pode auxiliar na tomada de decisão pela inseminação artificial mas sugerimos que os proprietários deixem seus cães acasalarem naturalmente.

É melhor deixar este procedimento para situações onde a interferência externa seja necessária como é o caso de criações onde há um macho para muitas fêmeas. Novamente concluímos que os cuidados para o pequinês são iguais aos de outras raças com exceção da atenção com a pelagem e o cuidado para não desgastar o macho em tentativas seguidas e infrutíferas de acasalamento.

O parto natural é típico do pequinês. A impaciência pode precipitar a decisão pela cirurgia, mas o parto deve ser acompanhado pacientemente e só intervir através de procedimentos do médico veterinário. Não injete qualquer medicamento de apoio ou procedimentos que forcem a aceleração do tempo do trabalho de parto. Pense na criação associada à qualidade de vida dos pequineses.

Quando macho e fêmea têm mais ou menos o mesmo porte a incidência de complicações no parto fica reduzida.

 

Curiosidades

  • Em 1902 foi criado o Clube do Pequinês e em 1919 foi feito o primeiro registro da raça pelo Kennel Clube da Inglaterra.
  • Em 1909 foi criado o Clube do Pequinês da América, nos EUA, e em 1911, organizado a primeira exposição especializada com 95 exemplares inscritos.
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