Porque sentimos coceira?

A coceira é chata, inconveniente e às vezes é tão forte que tira qualquer um do sério. Esta sensação é um estímulo neurológico provocado pelas defesas do organismo. É um sinal de alerta quando o organismo detecta que algo não vai bem.
Temos células na pele, chamadas mastócitos, que recebem o estímulo da coceira na presença de algum processo inflamatório. Quando recebem o estímulo, estas células liberam uma substância chamada histamina que provocam a coceira.

Podemos sentir coceira por diversas causas como picadas de insetos, dermatites, ressecamento da pele e até por problemas emocionais. O prurido propriamente dito pode ser causado por fundo neurogênico, pode relacionar-se ao estresse.
Nesse caso, a coceira aparece na pele sem a presença de lesão e suas causas não são detectadas com exames.


A vontade de coçar é irritante e irresistível

Sabe-se hoje que a coceira tem forte componente psíquico e está relacionada aos mesmos circuitos neurais da dor. Pensar em coceiras, ver pessoas se coçando, imagens de percevejos, pulgas e piolhos costumam provocar uma irresistível vontade de esfregar a própria pele.
Mas a coceira é mais do que um incômodo ocasional. A sensação, resultante da irritação das células na epiderme, é uma útil advertência à presença de insetos ou outros elementos estranhos. O coçar é, muitas vezes, um método eficaz e simples de lidar com isso.
A coceira é também o principal sintoma de muitas doenças dermatológicas e surge em certas condições sistêmicas, como doença renal crônica, cirrose e alguns tipos de câncer. O constante coçar pode se tornar uma agonia, caso as condições subjacentes não sejam tratadas.
Segundo estimativas, 8% a 10% da população mundial sofre de coceira crônica, sendo o problema que mais solicita os dermatologistas. As fontes da sensação, porém, são misteriosas e ainda pouco compreendidas.
A coceira está sendo reavaliada pelos médicos em razão de sua complexidade e importância, já que tantas pessoas sofrem com o problema.


Coceira: uma irmã menor da dor



Há apenas dez anos, os médicos consideravam a coceira “uma irmã menor da dor”. Afinal, a sensação segue o caminho rumo ao cérebro ao longo dos mesmos nervos seguidos pelos estímulos dolorosos, exceto pelo fato de a intensidade da irritação ser menor.

Essa noção se baseava, entre outras coisas, na observação de que a dor inibe a coceira. Segundo a chamada teoria da intensidade, a estimulação neuronal fraca causa a coceira, e a forte leva à dor. A coceira se torna dor quando é crônica, isto é, quando persiste ou é recorrente.
O stress é o fator mais importante se excetuarmos as reações alérgicas. Outras pesquisas descobriram que sarnas, causadas pela infestação de ácaros, afetam cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, mais de 30 milhões sofrem de eczema, problema associado à intensa vontade de coçar.
Nem só problemas físicos causam o desejo intenso de coçar. A coceira pode ser ativada ainda pela mente. Basta ver os outros se coçando para fazermos o mesmo. Imagens de pulgas, por exemplo, também podem produzir esse efeito.
É bastante possível que esse fator mental esteja associado aos chamados neurônios espelho. Essas células nervosas especializadas disparam quando realizamos certa ação, mas também quando a observamos em outra pessoa.
O caráter contagioso do bocejo, por exemplo, é atribuído a essa atividade neuronal. Pesquisas mostram que várias áreas do cérebro são ativadas de modo característico: regiões no lóbulo frontal, no lóbulo temporal esquerdo e nos hemisférios esquerdo do cerebelo, por exemplo.
Muitas das regiões que dispararam tendem a ser associadas à emoção. O cérebro de pacientes com neurodermatite (coceira crônica) reage de modo bem diferente quando comparado ao de pessoas sãs. Nas pessoas sãs o coçar inibe a atividade no cíngulo.
Essa forma de controle normalmente impede que a coceira seja intensificada pela emoção. No paciente com neurodermatite, o mecanismo parece ter sido anulado e, consequentemente, o controle passa a ser da coceira.

Tratamentos para a coceira

Coçar proporciona um alívio temporário, mas pode irritar ainda mais a pele ou causar cortes. Os tratamentos incluem loções e cremes (como calamina e hidrocortisona), anti-histaminas, antagonistas opióides (como naltrexona, droga usada para tratar dependentes de álcool ou de narcóticos), aspirina e terapia com luz ultravioleta.
A coceira crônica é tratada principalmente com medicações. 65% se beneficiam com tais substâncias. As medicações prescritas com mais frequência são as anti-histaminas. A droga para epilepsia gabapentina é usada em casos de coceira neuropática (causada por fibras nervosas).
Combinações de naltrexona, pregabalina, o antidepressivo paroxetina (Paxil) e ciclosporina imunostática também são empregadas. O tratamento mais promissor no momento inclui substâncias que afetam os receptores opióides.
Dependentes de ópio e heroína quase sempre sofrem de coceira, causada em grande parte pela hiperativação dos receptores mu-opióide. Explorando essa pista, os pesquisadores podem adotar a estratégia terapêutica de bloquear esse tipo de receptor.

Certas técnicas de relaxamento, como o treinamento autógeno (em que os pacientes repetem um conjunto de visualizações) e o relaxamento muscular progressivo, em que os músculos são relaxados para aliviar a tensão, também têm se mostrado auxiliares eficazes do tratamento médico.


Fontes da coceira

As fontes da coceira podem ser agrupadas em quatro categorias:
  • Pruridoceptiva, que resulta da pele seca, inflamada ou danificada, sendo mediada pela substância mensageira histamina, como nos casos de picada de inseto, urticária, neurodermatite e psoríases.
  • Neuropática, que surge em doenças das fibras nervosas, como esclerose múltipla, herpes-zoster e catapora.
  • Neurogênica, originada no sistema nervoso central.
  • Somatoforme (antiga psicogênica), que não tem causa física.

Liquenificação e as situações de estresse

O esfregar frequente e repetido termina por espessar a pele e gerar um aspecto chamado liquenificação: escurecimento e engrossamento da pele com leve descamação e brilho da superfície cutânea. Essa modificação da pele cria mais prurido, o que incita a pessoa a coçar mais aquele lugar.
Isso se torna tão frequente que passa a ser feito automaticamente, de modo que a pessoa não se dá conta do que está fazendo. Nesse ponto, a dermatose inicial já foi curada, mas permanece aquela área de coceira constante.
A seguir, todas as situações de estresse que o indivíduo sofre passam a ser descarregadas na área de neurodermite. Ela passa a ser o ponto de convergência das tensões. Sempre que o estresse se eleva a pessoa sente coceira naquela lesão de pele e leva a mão àquela área e a atrita.
Assim, em toda situação de tensão, seja por preocupação, concentração, conflito, dúvida, inconscientemente a pessoa coça a área alterada. E, desse modo, forma-se um ciclo tensão-prurido-coçadura-engrossamento da pele; este leva a mais prurido, mais fricção, etc.
Daí para a frente, a pessoa não mais se dá conta do que está fazendo e só percebe que aquela lesão não se cura e a pele permanece escura e espessa. Há casos de neurodermite com mais de um ano de duração.


A cura da coceira

Em todos os casos é muito importante que a pessoa procure um dermatologista. Na maioria das vezes o diagnóstico é fácil, pois basta olhar o aspecto da pele. Os locais mais atingidos são pescoço, punhos, terço inferior das pernas e dorso dos pés.
A possibilidade de cura é total. O tratamento é feito apenas com medicamentos e é essencial que o paciente receba uma explicação do que está acontecendo e de por que a lesão permanece.
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