O que é diabetes gestacional?

A saúde da mulher fica muito mais vulnerável durante a gravidez - e não à toa: por nove meses, o organismo tem de dar conta das necessidades de duas vidas. A boa notícia é que os problemas costumam ficar restritos ao pré-natal e podem ser minimizados com o acompanhamento médico adequado. 

Esse é o caso do diabetes gestacional, desequilíbrio das taxas de glicemia que pode acometer algumas mães durante a espera pelo bebê e que, na maioria dos casos, se normaliza depois do nascimento da criança.
O diabetes gestacional normalmente aparece sem dar sinais. Por isso é importante verificar os índices de glicemia já nos primeiros meses de gravidez, por meio de exames de sangue.
Pacientes que, antes da gravidez, apresentavam índices de glicemia normais e passaram a ter o descontrole quando grávidas, certamente, já tinham uma predisposição genética para ter a doença. Elas passam a desenvolvê-la na gestação, pois o próprio estado gravídico deixa a mulher mais suscetível. As mudanças hormonais podem mexer com o metabolismo .


Prevenção
Começar o pré-natal cedo e realizar consultas regulares ajuda a melhorar sua saúde e a do bebê. Conhecer os fatores de risco do diabetes gestacional e fazer exames de triagem entre a 24ª e a 28ª semana de gestação ajudam a detectar a doença mais cedo.
Se você estiver acima do peso, diminuir seu índice de massa corporal (IMC) para um valor normal antes de engravidar diminuirá o risco de desenvolver diabetes gestacional.

O que é Diabetes gestacional?

O diabetes gestacional é o alto nível de açúcar no sangue (diabetes) que começa ou é diagnosticado durante a gestação.


Causas

Os hormônios da gravidez podem impedir que a insulina cumpra sua função. Quando isso acontece, os níveis de glicose podem aumentar no sangue da gestante.

Você corre mais risco de ter diabetes gestacional se:
  • Estiver com mais de 25 anos ao engravidar
  • Possuir histórico familiar de diabetes
  • Tiver dado à luz um bebê com mais de quatro quilos ou com algum defeito de nascença
  • Apresentar açúcar (glicose) na urina quando fizer uma consulta de pré-natal periódica
  • Tiver hipertensão
  • Apresentar líquido amniótico em excesso
  • Tiver passado por um aborto espontâneo de causa indeterminada ou tiver tido um natimorto
  • Estava acima do peso antes de engravidar
  • O sobrepeso anterior à gravidez é outro fator desencadeante do diabetes gestacional. A gordura acumulada acaba piorando o metabolismo da glicose. O fator de risco é o mesmo para mamães que engordam muito durante a gestação. Segundo especialistas, o normal é a gestante ganhar de meio a um quilo por mês, sendo que, nos três últimos meses, esse limite aumenta para um quilo e meio, totalizando de oito a 12 quilos .

Sintomas

Geralmente não há sintomas ou os sintomas são leves e não apresentam risco de morte para a grávida. Com frequência, o nível de açúcar (glicose) no sangue volta ao normal após o parto. Mas especialistas afirmam que os sintomas comuns da doença, como sensação de boca seca e constante vontade de urinar, só aparecem quando as taxas de açúcar no sangue estão muito elevadas.
Os sintomas podem incluir:

  • Visão borrada
  • Fadiga
  • Infecções frequentes, incluindo as na bexiga, vagina e pele
  • Aumento da sede
  • Aumento da micção
  • Náusea e vômitos
  • Perda de peso, apesar do aumento de apetite

  • Exames

    O diabetes gestacional geralmente começa no meio da gravidez. Todas as mulheres grávidas devem fazer um teste oral de tolerância à glicose entre a 24ª e a 28ª semana de gestação para verificar a ocorrência da doença. As mulheres que possuem fatores de risco do diabetes gestacional devem fazer o teste antes desse período.
    Depois que o diabetes gestacional é diagnosticado, você pode verificar seu estado testando o nível de glicose em casa. A forma mais comum consiste em fazer um pequeno furo na ponta do dedo e colocar uma gota de sangue em um aparelho que faz a análise de glicose.

    Tratamento

    O objetivo do tratamento é manter o nível de açúcar no sangue (glicose) dentro dos limites normais durante a gravidez e garantir que o bebê em formação seja saudável.
    Se os índices de glicemia não abaixarem só com uma dieta equilibrada e com a prática de atividade física, as doses de insulina (hormônio responsável pelo transporte de glicose pelas células) entram em ação. Não existe uma regra, mas, normalmente, quando as taxas de glicose estão muito altas (acima de 140 ou 150 mg/dl), a insulina é receitada antes de esperar os efeitos da dieta equilibrada aparecerem .
    Já as mulheres que sofriam com o diabetes antes da gravidez, precisam ter o acompanhamento de um endocrinologista para controlar a alimentação, o ganho de peso e as taxas de glicemia. Quando a paciente já recorria às doses de insulina, é normal ter que aumentar a quantidade durante a gestação.


    Cuidados com o bebê

    O médico deve acompanhar atentamente você e seu bebê durante toda a gestação. O monitoramento fetal que verifica o tamanho e a saúde do bebê geralmente inclui ultrassom e testes sem estresse.
    • Um teste sem estresse é um teste muito simples e indolor para você e o bebê. Um aparelho que ouve e exibe os batimentos cardíacos do bebê (monitor fetal eletrônico) é colocado sobre o seu abdômen. Quando o bebê se movimenta, a frequência cardíaca normalmente aumenta 15 a 20 batimentos acima da sua frequência normal.
    • O médico compara o padrão dos batimentos cardíacos do bebê quando ele se movimenta e determina se ele está bem. O médico procura elevações na frequência cardíaca do bebê que ocorrem dentro de um período específico.
    Apesar de todos estes fatores fazerem com que o exame de glicemia seja necessário desde o início da gravidez, é muito importante acompanhar as variações das taxas de açúcar por volta do sexto mês. O feto passa a consumir mais glicose para ganhar peso, aumentando a probabilidade de surgirem problemas relacionados às taxas de açúcar nesse período da gestação.
    Caso a mãe não passe pelo devido pré-natal e as taxas de glicemia não sejam controladas, a descompensação pode resultar em coma diabético. Entre as consequências para o bebê estão a macrossomia (excesso de peso) e a elevação do líquido fetal, que aumentam o risco de morte e comprometem a vitalidade dos recém-nascidos.
    As crianças podem ter problemas como icterícia e hipoglicemia, por exemplo, além das chances de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.
    Recorrer ao tratamento adequado é a alternativa para espantar tais riscos. Como as causas são bem diversificadas, os tratamentos variam de acordo com o histórico da paciente. Quando as taxas de glicemia estão um pouco acima de 130 mg/dl, a primeira alternativa é mudar alguns hábitos alimentares e praticar exercícios físicos.
     Dieta e exercícios
    O passo inicial é abandonar a idéia de que mulheres grávidas precisam comer por duas pessoas, evitando assim, os exageros. As mães que sofrem com o diabetes gestacional devem seguir um cardápio balanceado e com restrição de açúcar. É fundamental dar preferência aos alimentos integrais, fugindo não só do açúcar refinado, como também da farinha .
    A melhor maneira de melhorar sua dieta é comer uma grande variedade de alimentos saudáveis. Você deve aprender a ler os rótulos dos alimentos e sempre verificá-los quando precisar tomar decisões em relação à sua alimentação. Se você for vegetariana ou seguir alguma outra dieta especial, converse com seu médico ou nutricionista.
    Em geral, a dieta deve ser moderada em gordura e proteína e fornecer níveis controlados de carboidrato com alimentos como frutas, hortaliças e carboidratos complexos (como pão, cereais, massa e arroz). Será necessário diminuir os alimentos que contêm muito açúcar, como refrigerantes, sucos de fruta e doces.
    As opções recomendadas pela nutricionista para substituir o açúcar são os adoçantes. Se a grávida não tiver histórico familiar de fenilcetonúria doença de caráter genético que impede o organismo de metabolizar o aminoácido fenilalanina pode consumir adoçantes à base de aspartame sem problema algum.

    Você deve fazer três refeições pequenas ou médias e comer um ou mais lanches diariamente. Não pule as refeições nem os lanches. Mantenha a mesma quantidade e os tipos de alimentos (carboidratos, gorduras e proteínas) todos os dias.
    • O médico receitará uma vitamina prénatal diária. Ele ainda pode recomendar que você tome ferro ou cálcio. Se você for vegetariana ou seguir alguma outra dieta especial, converse com seu médico.
    • Lembre-se de que "comer por dois" não significa ter que ingerir o dobro de calorias. Geralmente são necessárias apenas 300 calorias a mais por dia (como um copo de leite, uma banana e 10 bolachas tipo água e sal).
    Se a melhora na sua dieta não controlar os níveis de açúcar (glicose) no sangue, pode-se receitar medicamentos para diabetes tomados por via oral ou terapia insulínica. Você precisará monitorar seus níveis de glicose durante todo o tratamento.
    A maioria das mulheres que desenvolve o diabetes gestacional não precisa tomar medicamentos para diabetes ou insulina, mas para algumas isso é necessário.


    Expectativas

    A maioria das mulheres com diabetes gestacional consegue controlar a glicose no sangue e evitar danos a elas e aos bebês.
    Grávidas com esse tipo de gestação tendem a ter bebês maiores que o normal. Isso pode aumentar a chance de ocorrerem problemas no momento do parto, como:
    • Lesão de parto (trauma) devido ao tamanho do bebê
    • Parto cesárea
    Esses bebês têm mais probabilidade de apresentar períodos de pouco açúcar no sangue (hipoglicemia) durante os primeiros dias de vida.
    As mães com diabetes gestacional têm mais risco de apresentar hipertensão durante a gravidez.
    O risco de o bebê morrer aumenta ligeiramente quando a mãe apresenta diabetes gestacional não tratado. Controlar os níveis de glicose diminui esse risco.
    Os altos níveis de glicose no sangue geralmente voltam ao normal após o parto. Entretanto, as mulheres com diabetes gestacional devem ser observadas atentamente depois do parto e durante as consultas médicas para identificar sinais de diabetes. Muitas mulheres com diabetes gestacional desenvolvem diabetes dentro de 5 a 10 anos após o parto. O risco pode ser maior para mulheres obesas. 


    Complicações possíveis
    • Complicações relacionadas ao parto por causa do tamanho do bebê
    • Desenvolvimento de diabetes no futuro
    • Risco maior de dar à luz um natimorto ou de o bebê morrer pouco tempo depois
    • Pouco açúcar no sangue (glicose) ou outra doença no recém-nascido

    Depois do parto


    Em geral, 70% das mulheres corrigem o desequilíbrio das taxas de glicose no sangue, depois do nascimento do bebê. Mas isso não significa que a mulher nunca mais sofrerá com o desequilíbrio de açúcar no sangue. De acordo com especialista, o diabetes gestacional mostra que a paciente tem uma tendência à hiperglicemia. Por isso, é preciso sempre ficar de olho na alimentação e checar as taxas de glicose frequentemente e, especialmente, em uma próxima gestação .
    Quando o problema se estende além da gravidez, as pacientes precisam dar continuidade ao tratamento que, não necessariamente é feito com doses de insulina. Na fase de manutenção, outros medicamentos são capazes de deixar os índices de glicemia estáveis, variando caso a caso.


    Fonte: www.minhavida.com.br
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